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Vivemos todos no passado?

Liliana Pacheco

Nos últimos anos, temos assistido ao aparecimento de vários conteúdos para televisão e cinema que evocam o imaginário norte-americano dos anos 1950 e 60 – por exemplo, a multi-premiada série Mad Men (da AMC), que recria o ambiente de uma agência de publicidade nos anos 60, ou a recentemente estreada Pan Am (ABC), sobre o quotidiano das hospedeiras da mítica companhia aérea norte-americana, num tempo em que viajar de avião era sinónimo de exclusividade e em que a profissão de hospedeira era uma das mais glamorosas do mundo. A cadeia de televisão NBC estreou em Setembro do ano passado The Playboy Club, reconstituindo a época de ouro do famoso clube de Hugh Hefner e das suas famosas coelhinhas. Outro exemplo é a série The Kennedys, que retrata os dilemas de uma das famílias mais importantes dos EUA, ou a já distinguida Mildred Place.

O Reino Unido também não parece escapar a esta onda de nostalgia, com a estreia de The Hour, na BBC 2, que se concentra nas aventuras de jornalistas da BBC nos anos 1950. No cinema, esta espécie de revivalismo também se tem sentido – poderíamos nomear vários exemplos, mas talvez o filme de Tom Ford A Single Man seja um dos mais significativos.

Um dos traços comuns destas produções é um grande cuidado na reconstituição histórica e, em particular, nos guarda-roupas. Mas será que a sua mais valia é apenas uma questão de moda? Será que o aparecimento de séries como Mad Men e Pan Am conseguem seduzir um público diferente para as séries norte-americanas?

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Os recados alheios

Adriana Correia Oliveira

Os recados alheios, as palavras que ainda se deixam na rua, são uma obsessão. A forma como ainda comunicamos no espaço público é uma actividade em vias de extinção? Paramos cada vez que a vizinhança anuncia o que se vende, de quem se gosta, se uma porta é para empurrar, se a outra é para apostar. Paramos também nas palavras que aparentemente nada anunciam, mas que ainda assim foram deixadas ali, à vista de todos. Essas são as que coleccionamos como se quiséssemos montar um puzzle.

Sr. Teste: um movimento sem tempo a propor poesia e ligações

Sílvio Mendes

As livrarias começam a deixar de ser um ponto de encontro entre pessoas. Sr. Teste transforma os próprios leitores no ponto de encontro. Anda a entregar-lhes livros em mãos por Lisboa e propõe-lhes uma «resistência pacífica mas não passiva». E como há muito mais que livros para ler, promete outro tipo de «intervenções no dia-a-dia».

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Se este rato fosse museu, a arte contemporânea iria para casa

Hugo Torres

Claes Oldenburg, decano da arte contemporânea, é um habitué nos salões dos grandes museus internacionais. E não é para menos: o sueco-americano é, com Andy Warhol e Roy Lichtenstein, um dos mais relevantes nomes da Pop Art. Nos anos 1960, criou um rato que fez pela iconografia do movimento o que Mickey fez pela da animação. Já tentou fazer dele um museu – mas só o deixaram fazer em miniatura. É essa que está em Viena, na mais completa retrospectiva dedicada aos anos de afirmação do artista.

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O cinema norte-americano e a criatividade perdida

JB Martins

Ainda estamos em Abril e parece que já foi descoberto o novo rei do box office. Com 152 milhões de dólares no primeiro fim-de-semana, The Hunger Games saltou imediatamente para a lista de melhores filmes de sempre. Mais um filme baseado num livro, mais um campeão de bilheteiras, mais uma razão para se acusar Hollywood de falta de originalidade.

É um facto inquestionável que as sequelas, adaptações e remakes (ou «reinvenções», como lhes querem chamar agora) inundam, ano após ano, as salas de todo o mundo. Mas significará isto que Hollywood está mesmo a perder a originalidade?

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A arte de coleccionar selos está a desaparecer com os seus amantes mais velhos

Filipa Mora

O primeiro selo português foi impresso a 1 de Julho de 1853. Apesar de centenária e do valor cultural inerente, a filatelia está a desaparecer com os coleccionadores mais antigos. Fomos conhecer as lojas mais emblemáticas do Porto e tentar descobrir o estado da arte de coleccionar selos, onde os mais jovens são cada vez mais raros.

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Há economistas que sabem conjugar o verbo regredir no futuro

Rui Passos Rocha

A primeira parte do documentário The Century of the Self explica como as ideias de Freud e seguidores foram adoptadas, e adaptadas, pelas principais empresas anglo-saxónicas. Nos inícios do século passado, a classe média em ascensão aprendeu a desejar o que até aí considerara supérfluo, ou apenas inacessível. Engordaram as massas, engordaram os produtos para as massas; fez-se uma cultura de massas, tão ampla e inclusiva quanto frívola e anódina.

Seguiu-se uma grave crise económica. Décadas depois, e virado o século, nova crise económica dá voz a quem quer uma mudança de paradigma, o regresso ao passado não consumista tornado futuro por aprimoramento científico. Nicolas Sarkozy chama-lhes terroristas; eles chamam-se adeptos do decrescimento e o que querem é romper com a lógica consumista, a desigualdade e a sobre-exploração da flora e da fauna.

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Embarcado do passado – retrato impressivo de um homem do mar

Filipa Mora

Cada traço na cara do Sr. Náná é impermeável ao presente.
Cada ruga, cada marca, cada gesto do passado perdura ainda agora.
O passado que passa e o presente que teima em esconder em si gestos de outrora.

De sorriso franco e olhos expressivos, estava a dormitar quando o atormentei e lhe assaltei a memória.
Não demorou muito para me dizer, confessava inicialmente. O sorriso desembaraçado diziam o contrário. Não demorou muito a abrir o museu recôndito e a lançar a âncora à(s) (h)istórias.

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