Vivemos todos no passado?
Liliana Pacheco

Nos últimos anos, temos assistido ao aparecimento de vários conteúdos para televisão e cinema que evocam o imaginário norte-americano dos anos 1950 e 60 – por exemplo, a multi-premiada série Mad Men (da AMC), que recria o ambiente de uma agência de publicidade nos anos 60, ou a recentemente estreada Pan Am (ABC), sobre o quotidiano das hospedeiras da mítica companhia aérea norte-americana, num tempo em que viajar de avião era sinónimo de exclusividade e em que a profissão de hospedeira era uma das mais glamorosas do mundo. A cadeia de televisão NBC estreou em Setembro do ano passado The Playboy Club, reconstituindo a época de ouro do famoso clube de Hugh Hefner e das suas famosas coelhinhas. Outro exemplo é a série The Kennedys, que retrata os dilemas de uma das famílias mais importantes dos EUA, ou a já distinguida Mildred Place.
O Reino Unido também não parece escapar a esta onda de nostalgia, com a estreia de The Hour, na BBC 2, que se concentra nas aventuras de jornalistas da BBC nos anos 1950. No cinema, esta espécie de revivalismo também se tem sentido – poderíamos nomear vários exemplos, mas talvez o filme de Tom Ford A Single Man seja um dos mais significativos.
Um dos traços comuns destas produções é um grande cuidado na reconstituição histórica e, em particular, nos guarda-roupas. Mas será que a sua mais valia é apenas uma questão de moda? Será que o aparecimento de séries como Mad Men e Pan Am conseguem seduzir um público diferente para as séries norte-americanas?



