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Crítica: “Any Human Heart”, Michael Samuels

Isabel Castro

Um miúdo de bicicleta, Oxford, anos 20 do século passado. Dois outros miúdos, também em bicicletas do pós-guerra, pedaladas loucas, sorrisos, uma aposta. O primeiro miúdo – o miúdo desta história – quer ser escritor, sabe que vai ser escritor. Mas, antes disso, está o problema da virgindade que ainda o persegue. Assim começa Any Human Heart, uma série em quatro episódios que, na realidade, é o desdobramento de um filme: pela fotografia, pela forma como se desenrola, pela narrativa.

Any Human Heart é a adaptação do romance homónimo de William Boyd, feita pelo próprio autor. Boyd foi buscar a Henry James o título do livro, foi roubar ao século XX muitas das personagens que vão compondo a história, cruza ficção e realidade no relato de uma vida que podia ter existido.

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Crítica: “Game of Thrones”, David Benioff e D.B. Weiss

Isabel Castro

E aqueles que, por serem menos mauzinhos, passam a ser os bons da história, mesmo que matem à machadada os inimigos, bem piores do que eles. O título diz tudo: estamos perante uma guerra de tronos, ou várias guerras por um trono, num mundo fantástico que nasceu na literatura (pela arte de George R. R. Martin) e passou para a televisão, com a bênção da HBO e o trabalho criativo de David Benioff e D. B. Weiss.

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Vivemos todos no passado?

Liliana Pacheco

Nos últimos anos, temos assistido ao aparecimento de vários conteúdos para televisão e cinema que evocam o imaginário norte-americano dos anos 1950 e 60 – por exemplo, a multi-premiada série Mad Men (da AMC), que recria o ambiente de uma agência de publicidade nos anos 60, ou a recentemente estreada Pan Am (ABC), sobre o quotidiano das hospedeiras da mítica companhia aérea norte-americana, num tempo em que viajar de avião era sinónimo de exclusividade e em que a profissão de hospedeira era uma das mais glamorosas do mundo. A cadeia de televisão NBC estreou em Setembro do ano passado The Playboy Club, reconstituindo a época de ouro do famoso clube de Hugh Hefner e das suas famosas coelhinhas. Outro exemplo é a série The Kennedys, que retrata os dilemas de uma das famílias mais importantes dos EUA, ou a já distinguida Mildred Place.

O Reino Unido também não parece escapar a esta onda de nostalgia, com a estreia de The Hour, na BBC 2, que se concentra nas aventuras de jornalistas da BBC nos anos 1950. No cinema, esta espécie de revivalismo também se tem sentido – poderíamos nomear vários exemplos, mas talvez o filme de Tom Ford A Single Man seja um dos mais significativos.

Um dos traços comuns destas produções é um grande cuidado na reconstituição histórica e, em particular, nos guarda-roupas. Mas será que a sua mais valia é apenas uma questão de moda? Será que o aparecimento de séries como Mad Men e Pan Am conseguem seduzir um público diferente para as séries norte-americanas?

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