Documentário em jeito autobiográfico ou autobiografia em jeito de documentário, PDL-LIS é o primeiro documentário de Diogo Lima, um estudante de cinema natural da pós-Atlântida, e que conta já com dois prémios (Melhor Filme dos Açores e Prémio Regional Novos Talentos Restart), atribuídos no primeiro Panazorean International Film Festival. Exercício fílmico sobre a identidade cultural insular vs. a adopção do continente como terreno estratégico de evolução profissional natural, PDF-LIS faz a sua estreia em terras alfacinhas no âmbito do Panorama 2013, numa sessão conjunta com Noite de Festa, de Tiago P. de Carvalho.
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Apresentado ontem no Hotel Tivoli, o regresso de 8 ½ Festa do Cinema Italiano traz consigo algumas novidades. À sexta edição, a presença da mostra na cidade de Lisboa passa este ano a decorrer no Cinema São Jorge, com as extensões no resto do país a acontecerem em Coimbra, Porto, Funchal e Loulé. É também a primeira vez que a Festa viaja além-fronteiras, garantida que está, em Junho, a presença em Luanda.
O destaque vai para a introdução da secção Altre Visioni, que se propõe apresentar perspectivas cinematográficas singulares de autores italianos, e para a presença dos convidados Marco Tullio Giordana (o realizador de A Melhor Juventude) e Salvatore Mereu (a apresentar Bellas Mariposas), referências no cinema italiano contemporâneo. Haverá ainda o concerto de Calibro 35, banda que se inspira na música dos policiais italianos dos anos 1970, e um debate dedicado ao contraste das realidades de dobragem e legendagem em Portugal e Itália.
Entre filmes, festas e encontros, 8 ½ Festa do Cinema Italiano acontece em Lisboa entre 20 e 28 de Março.
Idem Paris, David Lynch
Está a arrancar Sundance. O festival do Utah, nos Estados Unidos, é hoje a Meca do cinema indie. Mas sabem aonde foi buscar o nome? Ao Instituto Sundance, organização não-governamental fundada por Robert Redford em 1981, que por sua vez é assim designado em honra de uma das mais icónicas personagens interpretadas pelo actor e realizador norte-americano – Sundance Kid, de Dois Homens e Um Destino (George Roy Hill, 1969). Sim, um western. Quando começou, em Agosto de 1978, chamava-se Utah/US Film Festival.
A Casa do Cinema, em Lisboa, é inaugurada nesta quinta-feira. O prédio de três andares, cedido pela autarquia, fica no coração do Bairro Alto e dá albergue a alguns dos mais relevantes festivais e associações ligados à Sétima Arte na capital: IndieLisboa, Doclisboa, QueerLisboa, Monstra, FESTin, MoteLx, Temps d’Images, Associação Portuguesa de Realizadores e Academia Portuguesa de Cinema têm a partir de agora escritórios no 277 da Rua da Rosa. Os responsáveis do QueerLisboa, que partilharam esta fotografia da parte que lhe cabe na Casa, dizem tratar-se de «um aliciante novo projecto de criação de sinergias comuns».
Catembe é «o mais censurado dos filmes portugueses». Quem assim o classifica são os programadores da Cinemateca Portuguesa, onde a película é exibida nesta quarta-feira, 16 de Janeiro, às 19h. Realizado em Lourenço Marques (actual Maputo, Moçambique) por Faria de Almeida – que co-produziu o filme com António da Cunha Telles –, Catembe estreou em 1965 no Cinema Império, em Lisboa, «numa versão retalhada por 103 cortes de censura». Pouco depois, esta «reflexão sobre a presença de Portugal em África» foi mesmo interdita nas salas. É agora projectado no Museu do Cinema pela terceira vez desde 1980. A sessão inclui os 11 minutos de cortes de censura, informa a Cinemateca.
Crítica: “Tropicália”, Marcelo Machado
Ana Leorne

A secção “HeartBeat” continua a ser uma das mais concorridas do DocLisboa e Tropicália era inegavelmente um dos filmes mais aguardados da 10.ª edição do festival. O burburinho causado por um trailer com já bastante rotação no mundo digital e promessa de footage inédita e/ou excelentemente restaurada faziam de Tropicália um dos grandes destaques do DocLisboa – o que levou a uma sala Manoel de Oliveira com ocupação bastante acima da média para uma sessão de domingo à tarde (e apesar de haver nova exibição no próximo fim-de-semana).
Crítica: “Roman Polanski – A Film Memoir”, Laurent Bouzereau
Ana Leorne

Integrado na secção Retratos – que arrancou no primeiro dia do DocLisboa com Milos Forman: What Doesn’t Kill You… –, o filme de Bouzereau tem como pano de fundo uma conversa entre Roman Polanski e o seu amigo de longa data Andrew Braunsberg, que serve de pretexto para uma espécie de psicoterapia catártica do realizador. O facto de a gravação da conversa ter tido lugar pouco tempo depois da detenção de Polanski em Zurique no âmbito do escândalo sexual que o envolveu no final dos anos 1970 imprime à conversa/entrevista um certo fatalismo auto-biográfico – um looking back em jeito psicanalítico –, e com Braunsberg a jogar numa posição privilegiada não só pelo estatuto de amigo de que goza junto do realizador mas também por isso permitir que saiba quais os “botões” a pressionar, torna-se inevitável que a viagem através da vida pessoal e profissional de Polanski através das suas próprias palavras tenha uma carga indubitavelmente emotiva.
Quatro perguntas a Matthew Mishory
Ana Leorne
No fim-de-semana em que encerrou o Queer Lisboa e se assinalam 57 anos sobre a morte de James Dean, o RASCUNHO esteve à conversa com Matthew Mishory. O realizador norte-americano esteve em Portugal para apresentar a estreia ibérica da sua primeira longa-metragem, Joshua Tree 1951.

Crítica: “Joshua Tree 1951: A Portrait of James Dean”, Matthew Mishory
Ana Leorne
Integrado na programação do Queer Lisboa 16 como um dos grandes destaques da edição deste ano, Joshua Tree 1951 prometia desenhar “um íntimo retrato de James Dean antes de conhecer a celebridade e tornar-se num ícone Americano” – mas torna-se muito mais durante os cerca de 90 minutos em que nos prende à tela.

Apesar de não existir nenhum elemento do cast que se destaque particularmente (nem mesmo James Preston como James Dean, que apesar duma prestação sem mácula lembra mais um Brando que um jovem Dean), a beleza singular do filme de Matthew Mishory reside no facto de não ter procurado apenas a emulação dos sets, props e outros elementos mais ou menos comuns de Hollywood do pós-guerra; o cuidado milimétrico com que o D.o.P. Michael Marius Pessah trata o preto e branco imprime um tom evocativo de época que é tudo menos corriqueiro. Com planos do deserto californiano que tiram partido da belíssima luz característica do local, a “simples” imagem seria o suficiente para tornar Joshua Tree 1951 num extraordinário exercício de poesia fílmica.